Recentemente, a aprovação da tirzepatida pelo FDA (agência regulatória dos EUA) como opção de tratamento para a apneia obstrutiva do sono em pacientes com obesidade ganhou destaque na imprensa. A notícia gerou manchetes do tipo: “O fim do CPAP?” ou “A solução para a apneia chegou em forma de injeção?”. Mas a realidade é mais complexa — e merece atenção.
O que é a tirzepatida?
A tirzepatida é um medicamento originalmente indicado para o controle do diabetes tipo 2 e para a perda de peso. Ela atua como agonista dos receptores de GIP e GLP-1, hormônios que regulam a saciedade e o metabolismo. Com a perda de peso, diversos parâmetros metabólicos e respiratórios tendem a melhorar — incluindo a gravidade da apneia do sono.
O que os estudos mostram?
Os ensaios clínicos que avaliaram o uso da tirzepatida em pacientes com apneia obstrutiva do sono demonstraram melhora no índice de apneia e hipopneia (IAH) em pacientes com obesidade moderada a grave. Porém, é essencial destacar: essa melhora ocorreu como consequência da perda de peso e não por uma ação direta da tirzepatida no mecanismo da apneia.
Ou seja, a droga contribui indiretamente ao reduzir o excesso de gordura que comprime as vias aéreas superiores — um dos principais fatores de risco para apneia obstrutiva do sono em pessoas com obesidade.
Então o CPAP vai ser aposentado?
Definitivamente, não. O CPAP continua sendo o tratamento padrão ouro para a apneia obstrutiva do sono moderada a grave. Ele atua diretamente na causa fisiológica do problema: a obstrução das vias aéreas durante o sono. Ao fornecer uma pressão contínua de ar, o CPAP mantém essas vias abertas e elimina as pausas respiratórias, promovendo um sono reparador imediato.
Já a tirzepatida é uma opção complementar em casos específicos — especialmente para pacientes com obesidade que não conseguem ou não desejam realizar cirurgia bariátrica, ou como parte de um plano multidisciplinar de emagrecimento e reabilitação respiratória.
A importância de uma avaliação individualizada
Cada caso de apneia do sono é diferente. Há pacientes magros com apneia grave e pessoas com obesidade leve que têm quadros leves ou inexistentes de apneia do sono. Por isso, nenhuma medicação substitui o diagnóstico adequado e o acompanhamento especializado.
Somente seu médico pode definir os melhores tratamentos e abordagens para o seu caso.
Avanço importante
A tirzepatida representa um avanço importante no cuidado de pacientes com obesidade e apneia do sono, mas não é uma cura mágica. Seu uso deve ser feito com acompanhamento médico e, na maioria dos casos, em conjunto com o tratamento respiratório adequado, com uso de CPAP.
O CPAP segue como a ferramenta mais eficaz, segura e validada cientificamente para tratar a apneia do sono. Se você recebeu diagnóstico de apneia e precisa usar CPAP, conte com nossa equipe. Nós podemos te orientar da escolha do equipamento, ao acompanhamento na adaptação e ao longo do tratamento, com profissionais especializados, tornando sua terapia com CPAP muito mais confortável e tranquila. Entre em contato e saiba mais.
*Todo material produzido pela CPAP FIT e pela Oxi Saúde visa difundir informações sobre saúde do sono sem que possa ser utilizado como material para autodiagnóstico, da mesma forma que não substitui a avaliação de um médico especialista. Encorajamos todos os nossos leitores a procurarem ajuda especializada caso estejam tendo qualquer sintoma relacionado ao sono, para receberem a atenção e cuidado necessários.